Ilustrações de Agatha Blanco

com a alma na figuração
do mundo que somos

Agatha Blanco

   A arte é sempre um instante sublime na recriação do que somos e, às vezes, dizemos “já fazia arte no útero da mamãe”. E é verdade. Artistas o são n´alma formulada pelo amor e desse amor no confronto com a circunstância do cotidiano humano, que nem sempre nos é favorável.

   Mais uma vez, no meu percurso entre artistas e intelectuais de todos os níveis, encontro uma jovem que leva o (seu e o nosso) mundo com a alma na ponta do lápis e, hoje, também, a movimentar as ferramentas gráfico-computacionais da reprodução artificial. A manifestação artística dela foi me apresentada pelo ´TI´ gHans, da Koty Marketing, e fiquei encantado com a plástica do traço.

   Um traço próprio. E a jovem o faz da mesma maneira que conversa: arte pura enquanto química. Reencontrei-me no olhar dela como que ´fábrica d´emoções a gerar imagens´ da pessoa que pensamos carrear no ´eu´ que formula gotículas divinas. É que, minha cara Agatha Blanco, você (re)cria um universo humano como poetas cantam a mesma circunstância: o dom d´alquimia artística.

   “Ah, o meu trabalho primeiro? Sim, foi uma ilustração para a capa de um livro. Eu tinha dez anos. E na escola eu era sempre destacada para fazer desenhos…”, diz ela sob o olhar ´coruja´ de mamãe Katia em sua química própria.

   A verdade é que não existe mundo humano sem a figuração que dele fazemos enquanto reflexo que nos identifica. Uma liberdade que é coletiva quando o ´eu´ de alguém a diz artisticamente. Por isso, e é verdade, quando esse dom aflora logo dele sabemos o ´algo´ uterino que nos abençoou como pré batismo vivencial.

   E, por isso, também digo: Agatha Blanco, continue sendo a artista que formula vida em cada traço imagético, na ponta do lápis ou na telinha do computador. Pois, é disso que a humanidade mais precisa para ser ela mesma em cada pessoa como você.

crônica de

João Barcellos

Agatha Blanco – Agart Drawings

Foto de João Barcellos

João Barcellos

Publicou o primeiro livro em 1968 e, no mesmo ano iniciou atividade jornalística, cultural e tecnológica. No Brasil, desde 1988, foi co-fundador do jornal O Serigrafico, Jornal Corpus, das revistas Vida & Construção e Impressão & Cores. Literariamente, coordena as coletâneas Palavras Essenciais e Debates Paralelos (ambas com 15 volumes). É co-fundador da agência Koty Marketing (2020).